São Paulo, 22 de abril de 2008

 

OBRAS DE MUSEU DO SURF EM SANTOS SEGUEM EM CONSTRUÇÃO

 

As obras de construção do “Museu do Surf” e a construção de um heliponto, ambos localizados na plataforma do emissário submarino, na praia do José Menino, em Santos/SP, devem continuar. A decisão, do dia 17/4, é da juíza federal Alessandra Nuyens Aguiar Aranha, da 4ª Vara Federal de Santos.

A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) versando sobre o uso/ocupação da plataforma do emissário submarino de Santos. O MPF pleiteou tutela de urgência, a fim de impedir “que sejam consolidados danos decorrentes de alguns compromissos assumidos no âmbito extrajudicial pela Prefeitura perante o MPF, atinentes aos limites a serem respeitados na urbanização da superfície da plataforma do emissário submarino de esgotos” e requereu a concessão de liminar que determinasse a imediata paralisação das obras do “Museu do Surf” e a construção de um heliponto.

O MPF sustentou que o imóvel, pela sua natureza e de uso comum do povo, “não deve abrigar construções que dificultem a recomposição ambiental futura, devendo a área manter condições de utilização pela população compatíveis com a finalidade original, ou o mais próximo possível dela”. Alegou que o museu e o heliponto ferem o compromisso da prefeitura de não construir "equipamentos desnecessários ou que dificultem a futura remoção da plataforma".

A Prefeitura Municipal de Santos, por sua vez, no exercício de 2003 iniciara o licenciamento ambiental para a instalação do Museu Pelé na Plataforma do Emissário Submarino. No entanto, logo após a licença prévia emitida pelo IBAMA em 2004, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, anunciara a desistência de ceder seu acervo para o Museu proposto. A Prefeitura iniciou, em 2006, discussões para viabilizar a urbanização do local, com o objetivo de criar uma área de lazer para a população, juntamente com a Sabesp.

Contrataram o arquiteto Ruy Otake, que elaborou o projeto urbanístico denominado “As Ondas – Santos 21”, que contempla a criação de grande área de lazer contendo: área de convívio, ginástica, jogos, aulas de arte ao ar livre, pescaria, Museu do Surf, sanitários, sede administrativa, pista de skate, pista de Cooper, ciclovia, arquibancada para observar a prática do surf, jardins e esculturas. Esse projeto elevaria a qualidade de vida e lazer da população, transformando essa área que atualmente é pouco utilizada em um marco referencial de lazer para a cidade de Santos.

Segundo a juíza Alessandra Nuyens, há prova de que o parque público denominado “As Ondas – Santos 21” abriga, desde a sua concepção, o “Museu do Surf”, como justa homenagem do Município de Santos aos expoentes e legendários praticantes do esporte que tanto projetaram a cidade, inclusive no cenário internacional. “Como é de conhecimento público e notório, a plataforma constitui-se em área tradicional da prática do surf e, por isso, a história de tantos atletas, de certo modo, confunde-se com a própria existência dela. Por todos esses aspectos, mas sem pretender esgotar o tema, está demonstrada a pertinência da instalação do museu naquele local, reafirmada, aliás, quando submetida ao crivo do órgão ambiental licenciador (IBAMA)”.

Sobre a resistência do MPF quanto à implantação de um heliponto, a juíza esclareceu que sua acomodação visa atender à solicitação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que apontou a utilidade para as operações de salvamento marítimo.

Por fim, com relação à preocupação do MPF com os gastos públicos gerados pela construção e eventual posterior remoção do “Museu do Surf”, bem como sua limpeza, segurança e manutenção em geral, a juíza declarou que o montante seria “desprezível se comparado ao custo da própria remoção da plataforma, tal como postulado na sobredita ação civil pública”. (VPA)

Decisão na íntegra